terça-feira, agosto 31, 2004

"Mirar" Miró


Imagem "emprestada" da Fundació Miró
Pois é, uma boa notícia para acabar este mês e começar o de Setembro. A Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, inaugura quinta-feira, uma exposição de 60 gravuras e litografias do artista barcelonês Joan Miró.
A mostra vai estar patente ao público até 31 de Dezembro e eu, sem qualquer espécie de dúvida, vou visitá-la porque adoro o trabalho deste grande mestre espanhol, falecido em 1983, que sempre experimentou jogar com as cores e vários suportes para expressar a sua criatividade, desde a pintura, escultura, cerâmica, teatro, entre muitos outros.
Uma riqueza destas para apreciar mesmo aqui ao lado, a pouco mais de 70 quilómetros, não é para desperdiçar. Aproveito para lhes deixar um cheirinho do trabalho de Miró, com a pintura que eu mais gosto, inserida por cima deste texto e denominada "El Oro del Azur" (1967). Não sei se também vai estar em Évora mas há muitas outras para nos perdermos.

Mais aliciante


Foto das 1000 Imagens. Autoria de Joel Santos

Para saudar o teu regresso.

A terra morena


Imagem "emprestada" da Câmara Municipal de Grândola

Os últimos dias de Agosto, como sempre acontece, foram agitados na terra que um poeta/cantor celebrizou enquanto "morena", qual apelido gravado na identidade e na alma dos seus habitantes.
Os tempos já não são revolucionários, a autarquia até mudou de cor, mas o certo é que Grândola continua a revolucionar, sobretudo o panorama do Alentejo que é sempre escrito e falado como sendo cinzento.
Não é apenas a Feira de Agosto que opera esse milagre e mal dos habitantes se fosse esse o caso. Mas é um sinal de que, realmente, Grândola é uma terra diferente. "Morena" das praias onde se banha, consciente da "madurez" da sua história e, ao mesmo tempo, "teenager" e jovial quanto baste para atrair gente jovem e com vontade de contribuir para a mudança.
Não nasci em Grândola mas é um lugar que faz parte das minhas raízes, as quais procuro regar sempre que posso, para me sentir regada também por dentro.

Voltando, sem mais deambulações, ao assunto da feira, também lá dei um "pulo" este ano, a um certame que soube modernizar-se sem perder o carácter das feiras tradicionais.
Por lá, sem largar um cêntimo para entrar e sem pressas nem stress, imiscuimo-nos nas romarias de gentes (novos, velhos, alentejanos, pessoas de outras bandas do país, turistas acidentais, estrangeiros) e desfrutamos dos espectáculos musicais, do artesanato, dos comes e bebes, dos projectos turísticos pensados para o concelho (é certo, alguns fazem-nos recear a megalomania), das bancas de roupa de "marca", dos "carrinhos de choque", da ginginha e do moscatel, enfim, do convívio.
Há muitas feiras do género neste nosso Alentejo, onde ainda se podem dar dois dedos de conversa de volta de um copo de tinto, mas esta tem um romantismo especial. Talvez porque continua a mobilizar as suas gentes como no primeiro dia e acolhe os restantes como se fossem grandolenses de gema. Nao sei explicar. Só sei que o sinto!
Ainda me recordo dos Agostos passados no monte dos meus avós, no isolamento da serra que era quebrado apenas, uma vez por outra, para ir à vila de carroça puxada pela mula, comprar a "gasosa" que eu tanto gostava, entre outras (poucas) coisas. Ou para irmos à "fêra", reencontrar gente perdida como nós nos cerros e montes da paisagem.
Tempos que não voltam mas que, em Grândola, quer nas férias e fins-de-semana quer na Feira de Agosto, continuam vivos. Mais que não seja na minha memória...
Espero que assim continue, esta história de paixão incessante entre mim e a terra "morena", e que os tais projectos para uma nova "Grândola", recheada de prédios de apartamentos e empreendimentos turísticos na Comporta ou na Torre, não deixem estragar a antiga.

Cantando o Alentejo...

O Sol trespassava as pernas que seguiam num passo cadenciado. O mesmo ritmo. Devagar. Lento. Ao som da música que cantavam. Fechavam os olhos e as vozes soltavam-se. Desprendiam-se os "ais", os medos, a história de quem nasceu naquela terra. De quem conhece o calor e o trata por tu. A terra de quem não conhece melhor prato que uma açorda. Será sempre o melhor de todos os pratos. Ouvi-os em cima do palco e o vento convidou-me a fechar os olhos e concentrar-me nos ecos das vozes deles. Os ecos levaram-me até mim, num poema, num hino às minhas raízes, àquilo que sou! Concentrei em mim toda a energia que a emoção me deu e agradeci pelos ecos que emanam aquelas vozes serem também os meus ecos. A voz da minha terra! A voz do Alentejo!

sexta-feira, agosto 27, 2004

Um Polis dentro de nós!!

Em frente à minha casa estão hoje os senhores da Câmara a arranjar o jardim. Hoje está fresco em Beja (pelo menos de manhã).Gosto do cheiro da relva quando cortada. Dou por mim no carro, neste dia de Agosto a lembrar-me de outros dias de Agosto que já vivi na nossa cidade.
O Agosto mudou em Beja. Não há muitos anos atrás, passar num domingo às 15h numa das principais arterias da cidade, dava a sensação que estavamos numa cidade fantasma.
Tenho feito o teste este ano. E já não há fantasmas. Há pessoas.Poucas, mas há.
Sinal dos tempos??Do progresso??Sinal que este ano o Agosto está mais fresco??Sinal que há lugares onde ir??Se calhar é sinal disto tudo!!
Sinto que a cidade está a mudar, esperemos que a mentalidade de alguns também, que acompanhe o progresso, que aconteça na cabeçinha de cada um, uma remodelação, um polis!!!
Se gostam ou não da mudança, isso fica ao criterio de cada um. Só espero que os bejenses, onde me incluo obviamente, se inspirem nas obras feitas ao longo da cidade, pra se sentirem com coragem pra fazerem obras dentro de si. A mudança gera agitação. E nós temos que agitar...senão estagnamos!!!

quarta-feira, agosto 25, 2004

Canção de parabéns

Procurei, procurei, mas sem sucesso. A verdade é que não consegui encontrar um cantor que respeitasse a qualidade (??) da letra e melodia da nossa canção de "parabéns" portuguesa.
Como o dia de aniversário de uma certa pessoa está a acabar, tive de socorrer-me de um outro cantor virtual, a entoar uma canção que não tem nada a ver.
O certo é que ainda vou a tempo para enviar as minhas saudações com uma
inglesada de qualidade.
Ora ouçam!! Fantástico!!

Desafio bloguístico

Sentada em frente ao computador, as ideias para escrever até são muitas mas, em casa nova, há o medo de nos apropriarmos de espaços que (ainda) não sentimos como nossos.
Para começar a quebrar o gelo e incentivar-me a escrever, deixo aqui um desafio bloguístico"requentado".
De facto, esta mensagem circulou nos blogs entre Fevereiro e Abril mas, sempre que o objectivo seja o de levar alguém a pegar num livro, é bem-vindo neste "monte". Aqui vai:

Instruções:
1. Pegue o livro mais próximo de si;
2. Abra-o na página 23;
3. Encontre a quinta frase;
4. Poste o texto no seu blog, juntamente com estas instruções.

Este é o meu resultado:
"- Caso não tenham reparado - disse ele por fim -, estou a tentar fazer uma sesta".
In "Histórias de Verão, Contos de Inverno", de David Lodge


Experimentem e, depois, digam-me ou publiquem o resultado...

Reflexos


A composição da imagem e a iluminação não estão muito conseguidas mas apeteceu-me brincar um bocadinho com a máquina fotográfica e mostrar-lhes as minhas miniaturas de estimação.
Gostava é que alguém me explicasse como é que posso inserir uma imagem permanente na "head" do template. Algumas sugestões técnicas? Posted by Hello

terça-feira, agosto 24, 2004

Insónias

Bem sei que já devia estar deitada há muito tempo, porque amanhã (digo, mais logo) é dia de trabalho, mas quem tem blog sabe o quanto isto é viciante.
Só passei por aqui, antes do "joão pestana" me apanhar de vez, para dizer que a parte lateral desta casa já está mais ou menos "caiada" e que consegui linkar vários blogs que são do meu agrado. Espero que os autores não se ofendam.
Até logo!

Confusões Virtuais

Pois, pois, armou-se foi aqui uma grandessíssima confusão.
Nada de mais mas convém esclarecê-la, para que não fiquem pendentes mal-entendidos.
Ta como eu disse a algumas das minhas primeiras visitas, em comentários deixados nos seus proprios blogs, este espaço ainda está em construção mas vai ser de partilha. De quem escreve o blog para quem o lê mas também de forma mais intrínseca. Isto porque, o "monte" em causa vai ser caiado de azul e branco, ou seja com duas cores e a duas mãos.
Vão ser duas as autoras dos posts e o problema é que, quem põe a carroça à frente dos bois, acaba por não chegar a lado nenhum...
Ao invés de aceder ao blog e enviar um convite para si própria, para ser "team member", a minha ajudante na arte de bem-caiar entrou, modificou o meu nome e começou a postar.
O problema é que eu, devido a ter andado fora de Beja em trabalho e, depois, entretida com outras coisas, só agora cá vim desfazer o equívoco, para que não hajam mais posts nem comentários trocados.
Dentro em breve, mal ela se lembre de ir ao mail para aceitar o convite que lhe mandei, já serão posts a duas mãos.
Por enquanto, têm de me aturar só a mim. Apesar dos temas suscitados pela outra caiadora terem tido eco...
Assim que hajam ajudantes activos, darei conta desse facto.

Caiadora

sexta-feira, agosto 20, 2004

À mesa do café

Às vezes apetecia-me sentar à mesa do café e conversar sobre banalidades, com alguns politicos da região!
Não seria para os criticar ou questionar sobre os seus feitos e desfeitos, mas sim para os perceber, pra saber quem são, o que pensam e o que os move. Sinto falta disso.
Tentar descobrir o ser humano por detras do politico, sentir que tal como eu também sentem medo, alegria, tristeza, e todos os outros sentimentos!
Acho que em Beja, se faz "politica de gabinete", e as pessoas precisam de sentir que aqueles em que confiam são iguais a elas. Que são pessoas normais.Que andam na rua, que vão às compras...

Pessoas normais...ocorre-me pensar no reverso da medalha, que os politicos talvez sintam necessidade de o ser, de fazer o que os outros fazem sem se preocuparem com a imagem, será que não lhes apetece às vezes, mandar a imagem passear e aproveitarem a vida como os outros????
Se assim for, não é facil ser politico, sobretudo em Beja, onde a imagem é tudo!!!
Também não deve ser muito fácil ir na rua e ser interrompido por este ou por aquele com queixas e lamentos, pedidos de ajuda e afins...

Espero um dia falar sobre isto com um politico, acompanhados dum café...

quinta-feira, agosto 19, 2004

Nascer em Beja é destino...

Que me perdoem as pessoas que acordam nos outros lugares, mas acordar em Beja não é condição nem estado, é destino!Esta é a cidade para onde quero voltar quando viajo. É o lugar da minha raíz. Artérias e veias onde me corre a seiva.Nesta cidade, quando me afasto, os lugares são como as pessoas, fazem falta.Têm magia propria, carisma.As esplanadas onde se olha e se é olhado, nos comentários dos senhores que matinalmente picam o ponto nas Portas de Mértola, no café da moda e nos cafés que nunca passam de moda, nas lojas onde as senhoras finas dizem que pagam no final do mês, nas repartições onde se tem de esperar pelo coffee-break da senhora que está à espera da reforma e da menina que a vai substituir porque é amiga da filha, das estátuas que não o são porque mudam de lugar e da necessidade que temos que elas permaneçam no mesmo sitio para nos habituarmos, do sucesso dos cafés do Modelo ao fim de semana porque não há outro lugar onde ir pra encontrar tanta gente, das conversas e boatos que se contam nas Urbanas sobre a vida deste ou daquele, das rádios que andam ao despique, do jornal que se mantem e de outros que tentam destrona-lo, e das tricas que alimentam as conversas à mesa dos cafés!
Como todos os lugares tem coisas boas e más mas Beja é muito. É mais.
É para mim um caso de amor!Adoro a minha cidade!
Ainda bem que o destino me fez nascer aqui!!

terça-feira, agosto 17, 2004

A Força das Cores

O branco da cal do Alentejo é o que de mais puro conheço e evidencia bem o apego às coisas da "terra" que esta gente (eu incluída) tem.
Quando combinada com o azul, então, transporta-me para um universo mágico, dominado pelo céu e pelas nuvens, que observo representados no olhar dos alentejanos.
Quando misturada com os pigmentos amarelos, que a fazem confundir-se com as searas de trigo e o sol que nos molda os dias, a cal destas paredes também desperta em mim sentimentos profundos mas, confesso, o azul e branco é aquele em que prefiro sonhar a realidade.


Imagem "emprestada" do Portal Alentejano Tudo Ben