A terra morena
Imagem "emprestada" da Câmara Municipal de Grândola
Os últimos dias de Agosto, como sempre acontece, foram agitados na terra que um poeta/cantor celebrizou enquanto "morena", qual apelido gravado na identidade e na alma dos seus habitantes.
Os tempos já não são revolucionários, a autarquia até mudou de cor, mas o certo é que Grândola continua a revolucionar, sobretudo o panorama do Alentejo que é sempre escrito e falado como sendo cinzento.
Não é apenas a Feira de Agosto que opera esse milagre e mal dos habitantes se fosse esse o caso. Mas é um sinal de que, realmente, Grândola é uma terra diferente. "Morena" das praias onde se banha, consciente da "madurez" da sua história e, ao mesmo tempo, "teenager" e jovial quanto baste para atrair gente jovem e com vontade de contribuir para a mudança.
Não nasci em Grândola mas é um lugar que faz parte das minhas raízes, as quais procuro regar sempre que posso, para me sentir regada também por dentro.
Voltando, sem mais deambulações, ao assunto da feira, também lá dei um "pulo" este ano, a um certame que soube modernizar-se sem perder o carácter das feiras tradicionais.
Por lá, sem largar um cêntimo para entrar e sem pressas nem stress, imiscuimo-nos nas romarias de gentes (novos, velhos, alentejanos, pessoas de outras bandas do país, turistas acidentais, estrangeiros) e desfrutamos dos espectáculos musicais, do artesanato, dos comes e bebes, dos projectos turísticos pensados para o concelho (é certo, alguns fazem-nos recear a megalomania), das bancas de roupa de "marca", dos "carrinhos de choque", da ginginha e do moscatel, enfim, do convívio.
Há muitas feiras do género neste nosso Alentejo, onde ainda se podem dar dois dedos de conversa de volta de um copo de tinto, mas esta tem um romantismo especial. Talvez porque continua a mobilizar as suas gentes como no primeiro dia e acolhe os restantes como se fossem grandolenses de gema. Nao sei explicar. Só sei que o sinto!
Ainda me recordo dos Agostos passados no monte dos meus avós, no isolamento da serra que era quebrado apenas, uma vez por outra, para ir à vila de carroça puxada pela mula, comprar a "gasosa" que eu tanto gostava, entre outras (poucas) coisas. Ou para irmos à "fêra", reencontrar gente perdida como nós nos cerros e montes da paisagem.
Tempos que não voltam mas que, em Grândola, quer nas férias e fins-de-semana quer na Feira de Agosto, continuam vivos. Mais que não seja na minha memória...
Espero que assim continue, esta história de paixão incessante entre mim e a terra "morena", e que os tais projectos para uma nova "Grândola", recheada de prédios de apartamentos e empreendimentos turísticos na Comporta ou na Torre, não deixem estragar a antiga.
