quinta-feira, setembro 30, 2004

Rugas de sabedoria

Hoje, pelas 08:20 e aproveitando o fresco da manhã, já eu lhes batia à porta e oferecia-me para elas me oferecerem o pequeno-almoço. A surpresa abriu-lhes um sorriso largo, naqueles rostos onde as rugas parecem ter sido desenhadas por um qualquer pintor famoso, e a conversa e atenção aqueceu-lhes a realidade, mais dura nos últimos tempos. Aqueceu-me também a minha.
Torradas, café, a lembrar o antigo que se fazia na chocolateira, bolo e frutas. Um pequeno-almoço de rainhas, pois que éramos três, naquele palácio onde sempre me sinto em casa e cujas habitantes trajam de negro mas têm almas puras como a neve.
Um momento como tantos outros. Dos que revigoram e devem ser celebrados para que, depois, a ausência tenha onde se refugiar e as mãos não precisem de sentir o toque da pele para lembrar a suavidade das rugas que, outrora, marcaram a sabedoria dos anos.

Num papelinho com pionaises....

"A cada dia que vivo, mais me convenço que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoista que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, setembro 29, 2004

Árvores e afins

Vá, já te podes desencostar da azinhêra ou da olivêra, que eu já apareci.
Viste-me?

Dúvida II

Alguém me explica onde é que fica o tal bar ou café do Parque da Cidade? É que já lá andei duas vezes e perdi-me, sem encontrar o que queria...

Dúvida I

Mas esta gente não faz mais nada senão escrever nos blogs? É que assim é impossível acompanhar o ritmo... Humpf!!!
E não me venham com essas coisas de que, pudera, eu não escrevia desde sábado... Mesmo quando escrevo todos os dias, as vossas teclas (mentais e do teclado) parecem mais rápidas do que as minhas. E, atenção, só me estou a desvalorizar no capítulo dos blogs.
Bem, parece que vou ter de me conformar e chegar à conclusão de que tenho mesmo "ritmo alentejano". Vocês é que devem ter nascido noutras regiões, seus colonizadores!!!

PS: Olha, acabei de escrever algo. Não sei é bem o quê...

sábado, setembro 25, 2004

Cidade dos Contos

Era uma vez uma cidade, chamada Beja, que todos os anos recebia uma iniciativa ímpar no País, as Palavras Andarilhas. Durante três dias, a população dessa pequena cidade, como que por magia, saía de casa com o único propósito de ouvir o "respirar" das palavras mágicas dos contos, trazidas por contadores dos quatro cantos do mundo que "despiam" os seus eus e, sem pudores, transformavam-se, por segundos ou minutos, em mil e uma personagens.
Numa das noites dessa iniciativa mágica, numa sexta-feira de Setembro, a despedir-se já do calor do Verão e a começar a enlaçar-se no frio que chama pela lareira, as escadarias da biblioteca da "cidade dos contos" foram inundadas de gente, sequiosa de ouvir o falar de outros, de ouvir-se a si própria como em tempos idos. Apostada em, pelo menos nesse momento, alheia aos problemas do inferno do dia-a-dia, libertar a imaginação de criança e voltar a aninhar-se num colo há muito perdido.
As pronúncias portuguesa, africana, galega ou brasileira ajudaram a criar um universo do fantástico, apimentado com histórias de princesas e reinos distantes, com relatos sobre a morte ou sobre o paraíso, sobre festas de aldeias distantes, sobre burros que, ainda hoje, se avistam a sobrevoar a catedral de Compostela.
Era uma vez uma cidade, chamada Beja, onde os habitantes gostavam de "mergulhar" nos contos, até que, conta-se, o "ribombar" das palavras sussurradas e gritadas, enfim, partilhadas, era tão ensurdecedor que as "estórias" mergulharam nas pessoas até se tornarem realidade.

sexta-feira, setembro 24, 2004

Música para os ouvidos

A cantora brasileira Maria Rita va regressar a Portugal em Novembro e eu, tal como já aconteceu em Janeiro passado, lá estarei para assistir. Tenho por hábito deslocar-me a Lisboa para alguns "banhos culturais", sobretudo para assistir a concertos, e tenho tido a oportunidade de ver ao vivo vários dos cantores brasileiros da nova geração.
O espectáculo de Maria Rita Mariano no Coliseu de Lisboa foi uma dessas experiências e superou todas as expectativas. Por isso, enquanto a minha "diva" Marisa Monte não regressa a terras lusas com novo trabalho, vou repetir Maria Rita, no Pavilhão Atlântico. Aconselho vivamente o espectáculo a todos quantos gostem de música brasileira, misturada com alguns sons jazz e um ambiente a lembrar um café-concerto intimista (não sei se ela vai optar pela mesma estrutura do espectáculo, visto que a sala é maior).
A brasileira, vencedora de quatro Grammy Latinos, regressa para seis concertos, um dos quais a 19 de Novembro, em Lisboa. Os bilhetes vão "cantar" no meu bolso este fim-de-semana.
Só tenho pena de, por esta opção, me escaparem outros concertos que gostaria de ver, como Caetano Veloso, Bebel Gilberto e Paula Morelenbaum.
Enfim, não se pode ter tudo. E não nos podemos esquecer que os REM chegam em Janeiro e que, mesmo sem serem brasileiros, também são "gente.

quinta-feira, setembro 23, 2004

Bom-dia

A todos os visitantes deste blog, desejo os bons-dias e informo que, daqui a pouco vou rumar para fora de Beja em trabalho, pelo que não deverei postar nada durante o dia, tal como ontem, em que também estive longe do computador.
Deixo então os meus desejos de que tenham um bom-dia e prometo regressar mais logo ou amanhã. Divirtam-se!!

terça-feira, setembro 21, 2004

Introspecção

Em conversa pelo telefone, hoje, com uma pessoa amiga, que conhece todos os pontos com que se cose a tapeçaria que constitui a minha vida, fui confrontada com a frase: “Preocupas-te demais”.
É verdade, fiquei logo preocupada. Pensei, matutei, analisei, enfim, reflecti. A conclusão a que cheguei é a mesma que já tinha no início. Sou assim desde que me conheço. Sempre me preocupei se agia bem ou mal, com o que os outros pensavam, com as notas que tinha, com o trabalho que desempenho, com os riscos que os amigos correm e as situações que enfrentam, as oportunidades que aproveito ou desperdiço (ou desperdiçam), com a família, com tudo… Sei que coloco o peso do mundo em cima dos ombros, muitas vezes por coisas que não valem a pena, mas penso que é também isso que me faz ser inconformada. Essa preocupação constante e tão imperfeita em ser perfeita (é um paradoxo mas é mesmo assim) aos meus próprios olhos, faz-me encolher numa concha para procurar abrigo quando as coisas não correm bem mas, ao mesmo tempo, também me dá força para, de seguida, na altura certa, levantar a tampa e voltar a enfrentar tudo e todos.
É esta a atitude indicada? Não sei, não acerto sempre mas também não sei ser de outra forma. Aprendi também, ao longo do tempo, um pouco como a generalidade das pessoas, a criar mecanismos de defesa e, hoje, preocupo-me menos com certas situações ou pessoas.
Quem me conhece sabe que, por outro lado, se há coisa que não me preocupa é a de cumprir horários. Mas também, nunca falhei nada por causa disso.
No fundo, o que quero dizer é que, tanto quando estou errada como quando estou certa, a preocupação não é um mal de “per si”. E, essa amiga sabe, o que seria preocupante era se eu não me preocupasse, não era?

Alívio

Um assunto que me andava a preocupar há meses ficou hoje resolvido. Pelo melhor.
O alívio é do tamanho de 20 Alentejos.


O interior do santuário merece uma visita! Posted by Hello

Sugestão de fim de semana!!

Em Viana do Alentejo vai realizar-se este ano, como há 236, ineterruptamente a famosa Feira d'Aires. Com o Santuário como pano de fundo, aliás duma beleza indiscutivel tal como ilustram as fotos, esta feira centenária é tida como uma das maiores do país!
Vale mesmo a pena visitar, não só por a feira em si (há quem não goste da balburdia), mas para visitar o santuário e assistir aos espectáculos que a organização a cargo da Câmara Municipal de Viana do Alentejo tem para oferecer!
De Beja até lá é um "pulinho", vão descobrir uma outra dimensão do Alentejo!
Posted by Hello

Vale mesmo a pena visitar!!! Posted by Hello

segunda-feira, setembro 20, 2004

Cheiros do fim-de-semana pelos céus do Alentejo


A alma aquecida por uma viagem maravilhosa Posted by Hello

Bem sei que, desta vez, pareço ter-me "passado" dos neurónios e que este blog vai tardar uma eternidade a abrir por causa desta avalanche de fotografias, mas não podia deixar de partilhar com todos os que visitam este"monte" a maravilhosa experiêcia que estas duas caiadoras viveram no fim-de-semana, mais precisamente no sábado.
Apesar da minha
Caiadora de Azul ter adoecido, ainda conseguimos apreciar esta primeira subida aos céus do Alentejo, de balão, e a tranquilidade que se respira lá em cima, alheias ao stress do dia-a-dia.
A sabor do vento, vivemos cerca de uma hora de êxtase completo, sem vontade de regressar ao solo e contando todos os minutos que nos permitiram uma nova perspectiva desta região onde vivemos.
Foi a primeira viagem do género e, está decidido, não será a última. Aos que ainda não experimentaram "voar" de balão pelo Alentejo, aconselhamos a experiência, sem qualquer reserva (mesmo que uma azinheira tente entrar pelo cesto dentro, ahahaha!!).
complementado pelo convívio e pelos petiscos quefizeram crescer água na boca a todo o grupo, este dia ficará para sempre na nossa memória. Agradeço do fundo do coração (e com palavras escritas, que são as que melhor domino) ao "cicerone" que tornou possível a aventura.


Alheios ao mundo cá de baixo Posted by Hello

Nas alturas Posted by Hello

Prestes a levantar voo Posted by Hello

Mergulho no azul Posted by Hello

Sob o sol da manhã Posted by Hello

Valeu a pena!!!

Adoeci durante o fim de semana por isso não pude caiar!
Mas deixem que vos descreva o que senti na sexta-feira à noite.
Quando cheguei estacionei o carro e a pé me fui dirigindo à Praça da Républica, é porra, até me vieram as lágrimas aos olhos!!!! Tava tanta gente na rua! A noite estava fenomenal!E as pessoas estavam a passear por Beja. Estavam a apreciar. A fazer-se aos lugares. A torna-los parte da vida deles. E quando cheguei à Praça?? Bem, foi o descalabro!! Aí, chorei mesmo!!! Tanta gente!!Ouvia-se tanta coisa...umas que valia a pena repetir e outras que atribuo à maldicência que de alguma forma é caracteristica dos bejenses!!
O espectáculo da Mariza foi muito bom!Emocionei-me em alguns fados, muito porque conheço o trabalho dela e há letras e trinados que emanam daquela voz que me fazem emocionar.
Beja saiu à rua!A equipa está de parabéns!! E de mim, tenho apenas a dizer-vos um MUITO OBRIGADA pelas emoções. Sem um polis eu não sentiria o que senti. Mesmo que não fosse por mais nada, só pelas emoções que as pessoas sentiram naquela noite, já valeu a pena!

sexta-feira, setembro 17, 2004

DIA P!!!

Hoje é um dia muito importante para a cidade de Beja mas sobretudo para todos os bejenses!
Tenho a acerteza que vai tudo correr bem, o empenho e esforço de quem tem trabalhado vai ser recompensado!Um bem haja a todos ("as formigas") por o trabalho que estão a desempenhar!
Estarei lá para aplaudir! Estarei lá porque tenho esta cidade no corpo e na alma! E o som que emanar das minhas mãos será um presente que dou à minha terra que por a vossa dedicação ficou melhor!
Até logo!

terça-feira, setembro 14, 2004

Perguntas...

Uma conhecida minha foi ao psicólogo! Parece que veio melhor do que estava antes de entrar!
Logo a seguir, dei por mim a pensar como será ir a um psicólogo? Será que ajuda?
Afinal de contas pra que serve um psicólogo?
Deixo-vos com estas perguntas.

segunda-feira, setembro 13, 2004

Aos amantes de (bom) cinema


Bons filmes. Aconselho sobretudo o "Dogville"! Posted by Hello

Uma boa notícia a marcar o dia de hoje: O regresso do (bom) cinema a Beja, ainda por cima a preços aceitáveis (três euros).
É certo, as cadeiras e a visibilidade não são as melhores (nunca foram) mas, para quem gosta de cinema e "foge a sete pés" dos Stallones e afins, essas desvantagens não devem meter medo.
Como frequentadora que sempre fui do cinema da Capricho (nos últimos anos, até ser suspenso, fui menos, reconheço), prometo ser visita habitual.
Até porque, desde que regressei à capital deste Baixo-Alentejo, sempre senti saudades das minhas tardes de cinema, sozinha, nos King ou no Nimas, de Lisboa.
Sim senhora, aplaudo esta iniciativa e espero ter companhia para passar a sair à segunda-feira.


Sessões - Sempre às segundas-feiras
Horário - 21:45
Programação:
* Hoje - "Dez", deAbbas Kiarostami
* Dia 20 - "Dogville", de Lars Von Trier

* Dia 27 - "Bowling for Columbine", de Michael Moore

P: A minha fotografia está uma ****** mas foi publicada por um bom motivo. É o que dá ter apenas uma SonyDSC-F828 e ninguém me oferecer uma Nikon ou uma Canon (ok, ok, a mão do artista também tem influência, nao é só a máquina).

Vai uma bica e um pastel de nata???

Hoje de manhã ao passar por a rua Capitão João Francisco de Sousa, descobri uma nova pastelaria "Café com Natas", pequenina mas com um cheirinho muito agradável. Tem uma esplanadazinha cá fora. Tendo em conta que é na rua do Luís da Rocha não me pareceu que o antigo café fosse ameaçar a frequência de clientes. Aliás reparo com alegria que num curto espaço que são as Portas de Mértola temos vários cafés com esplanadas, e mais importante, temos clientes para todos eles, porque todas as manhãs estão cheios e não há mãos a medir.
Mas deixo aqui um reparo, é pena que a "Cozinha" não tenha espaço lá dentro pra colocar umas mesas e cadeiras, só ganharia com isso.
Hoje cheirava muito bem nas Portas de Mertola, cheira a empadas e bolos.Um dos cheiros de Beja!

domingo, setembro 12, 2004

Vamos andando!

Está a acabar o Verão. Já se sente no ar o cheiro de mais um ano de trabalho, de mais um Inverno, já se nota nos olhares das pessoas aquela nostalgia e melancolia que nos bate quando as árvores se despem. As laranjeiras da cidade já começaram a largar a folha e os plátanos estão a ficar acastanhados. Os miúdos vão voltar à escola e recomeça o ritmo em que vivemos durante o ano. Gosto de observar o recomeço das pessoas. Gosto da forma pacifica como isso ainda se faz em Beja.Aqui, recomeçar é no gerundio:"vai indo, vai andando!"

sábado, setembro 11, 2004

Regresso

É só para dizer uma coisinha... "I'm back". A Caiadora-Mor deste "buteco", como diriam os brasileiros, está de regresso. Apesar da reclusão auto-imposta (e que bela reclusão...), este "monte" não esteve abandonado e as paredes parecem bem caiadas pela minha Companheira Azul.
Tenho dito! Já volto para escrever mais. Queria só assinalar o meu regresso à blogosfera.

sexta-feira, setembro 10, 2004

O Cartaz...

Ontem já à noitinha, vinha a caminho de casa pela variante, porque o transito devido às obras tá um bocadinho complicado (mas isto tá a compor-se!), nem é preciso apelar à paciência porque o resultado tá deveras bonito e melhor...mas continuando, estava na hora do lusco-fusco e tive de parar o carro ao pé da mata porque estava a ver uma familia, pai, mãe e dois filhos a passear por o parque da cidade, aquele que ainda está em construção, adorei o quadro devo dizer... trouxe um sentimento cosmopolita de Beja renovada, de Beja melhor! Estava feliz aquela familia!Os miudos descobriam as arvorezinhas que ja estão plantadas, e os pais sempre vigilantes apontavam em determinadas direcções como que a comentar as obras. Gostei. Quis que fosse aquele o cartaz de Beja, uma familia feliz, contente por viver aqui.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Há espera da chuva...

Como chão árido. Barro escuro. Sulcos profundos expostos ao ar. Terra seca à espera da chuva.
E a chuva não vem. Não chega e exaspera-se.E é assim a seca no Alentejo. E é assim que nos sentimos tantas vezes...

segunda-feira, setembro 06, 2004

AVANTE!!

E havia no ar um outro país. E sentia-se "em cada rosto igualdade". E Ary esteve sempre lá.
E Guevara continua a quer morrer de pé doque a viver ajoelhado.E Abril mantem-se vivo. E vermelho é a cor. E o amor faz o mote. A Liberdade é em verso, é em lenços da Palestina. E somos todos camaradas, até quem não o é. Mas sente camaradagem. E há no ar a música de sempre. A musica de hoje. E partilha-se a vida naquele lugar.E ouvem-se ecos de utopia. E vêm-se jovens a dizer palavras velhas, já gastas demais para as suas vozes!Jovens que não viveram Abril. Que herdaram dos pais a colecção de discos do Zeca. JCP! Gritam eles! São o sangue novo. E vêm-se os olhares de nostalgia dos mais velhos a pensar que são eles que têm que continuar! Espero que continuem. Mas que se renovem...Que não usem palavras de outras lutam que já passaram. Mas que façam as suas palavras, os seus gritos de guerra, que suguem das suas vidas os seus objectivos de batalha. E lutem! E gritem AVANTE!Mas com aquilo que hoje são e não com aquilo que outros já foram!E pede-se dinheiro aos camaradas. E elogia-se a organização. E sente-se a rigidez do sistema montado.
Ali não se é "do partido". Ali somos comum.Somos comunistas, todos iguais! Independentemente da escolha partidária que façamos!
Por três dias quase que se consegue fazer da utopia, realidade.


sexta-feira, setembro 03, 2004

Portadas interiores


Imagem de Hélder António, retirada das 1000 Imagens

No momento em que os primeiros pingos de chuva começam a cair, mesmo à beira da minha janela, tomo uma decisão. Acabou-se, chega de estar para aqui a desperdiçar tempo numa sexta-feira, a tentar inventar o que fazer... Não trabalho mais hoje!!!
Desligo o computador de serviço, empurro-o para a outra ponta da secretária e abro as portadas da minha companheira janela para deixar entrar a luz do fim-de-semana. Mesmo que as nuvens cubram já o céu, como que a marcar o destino inadiável da chegada da noite, não quero saber de mais nada. Como disse, anteriormente, a minha companheira
Caiadora-Azul, é tempo de, pelo menos nos próximos dois dias, pensar em mim, naquilo que me apetece fazer, depois de um mês infernal a calcorrear este Alentejo.
Começo a arrumar os papéis espalhados na secretária, como que a medir o tempo para os pensamentos fluirem, e embarco no encontro de CD's espalhados, fora das caixas, para que eles próprios escolham a música que, hoje, vai ecoar entre estas quatro paredes, só minhas por uma noite.
Aos poucos, consigo desligar-me do mundo lá fora, apesar de me fazerem falta as portadas ainda abertas, e viro-me para dentro. Lembro-me de palavras que vi hoje escritas por outros mas remeto-me ao silêncio perante elas. Não me apetece também libertar muitas mais.
Até já, vou ali desfrutar da minha companhia...



Pra pensar....

Tudo o que fizermos em prol da nossa felicidade, valerá sempre a pena fazer!
E não nos devemos arrepender disso!
Pode parecer um chavão, mas peço-vos que pensem na vossa vida, e tentem analisar o que fazem ou não em prol da vossa felicidade. Se calhar vão reparar que na maioria das vezes tomam as atitudes em prol de tudo menos de vocês mesmos! Deixo-vos com os vossos pensamentos. Passem um bom fim de semana, encontramo-nos aqui segunda-feira!

quinta-feira, setembro 02, 2004

Açúcar

Partilhei hoje com alguém o melhor leite-creme que já alguma vez tinha provado e, inocentemente (ou por timidez de violar o que não me foi dito, ainda não cheguei a uma conclusão), prestei mais atenção à forma do que ao conteúdo.
Metabolizado que está o açúcar ingerido, penitencio-me e ofereço a minha companhia para quando esses níveis adoçicados da vida estiverem em baixo. Todos temos esses momentos...

Descobertas...

Está a chover em Beja. Cheira a terra molhada. Cheguei agora a casa e quando entrei no meu bairro senti o cheiro a tilias que embelezam as ruas. O vento e a chuva activam o cheiro das folhas das árvores!Fui dar as minhas voltas na cidade.
Já vos aconteceu descobrirem promenores em Beja que nunca tinham visto antes??
Basta olhar e reparar nos detalhes. Há fachadas lindissimas, detalhes nos parapeitos, cercaduras de janelas!Encontrar algo de novo por pouco que seja, traz-nos sempre uma lufada de ar fresco! Há muito por descobrir em Beja. E cada vez haverá mais. E é tão bom saber isso!!
Agora apetece-me estar aqui, no quentinho em frente ao computador a deliciar-me com o que se escreve!

quarta-feira, setembro 01, 2004

Nas Festas do Povo...

Cheirava a farturas. Havia o reboliço das gentes. Ouvia-se o português raiano e o espanhol de Badajoz. As cores imperam, majestosas!As ruas são obras de arte, esculpidas pela união. O orgulho é senhor da terra!As vozes ecoam as "saias" com pandeiretas coloridas e arranjadas com brio. As ruas são imaculadas. As portas estão escancaradas e as pessoas comem na rua. Vêm familias inteiras jantar na rua, mostram um pouco de si, partilham connosco o momento da refeição que numa familia é crucial, e eles partilham. Dão-nos esse previlegio, metem-nos no coraçao!!
A pinhoada e o torrão de alicante faziam as delicias de muitos.
Há máquinas de café a convidar-nos. O café, é ali o elixir da vida, o que os mantem!
Nas ruas as flores dão o mote. A minucia que as mãos cansadas e calejadas desenharam. O zelo por o que é seu. Aquelas são as festas do povo para o povo. É verdadeiramente lindo! Mais uma condição em que o Alentejo é mais!!Em cada rua a sensação é diferente, as cores misturam-se com os nossos sentidos. E sente-se no ar uma forma de estar, de sentir Campo Maior!!
Boa gente!Gente feita de flores com cheiro a café!!

Devaneios II

"Os silêncios sobrepostos aos gritos"

"As tuas palavras mudas ecoam pelos cantos e ferem de morte os silêncios que recuso libertar. A respiração com que me brindas é o único compasso que a minha pele ouve e, a cada um desses sons ritmados, o meu coração bate mais lentamente, quase sem bateria para pulsar.
Anseio pelo teu regresso mas não sei onde te procurar, nem o teu novo nome.
Só sei que quero que as palavras voltem, de novo, a respirar e a vida deixe de ser calada. Que grite aos meus ouvidos. A plenos pulmões...".

Devaneios I

Os cadernos e os blocos que sempre me acompanham para todo o lado, desde que me conheço como gente, são como a minha segunda pele. Neles aponto tudo o que me vem à cabeça, de triste ou alegre, neles colo bilhetes de cinema, de concertos, recordações de viagens, flores secas, até papelinhos de contas de restaurantes que me ficaram gravados por terem acolhido um qualquer almoço ou jantar especial.
Sou, confesso, uma desorganizada compulsiva e militante no que à maior parte da minha vida diz respeito mas, por uma misteriosa força da natureza, sempre perpetuei em papel as pequenas coisas que me tocam na alma e que me fizeram ser quem sou hoje.
De vez em quando, gosto dessas viagens ao passado e não evito transpô-las para o presente, redescobrir novos significados para aquilo que anotei ou escrevi.
Há textos, que aos outros soam ocos, nos quais me identifico plenamente, outros criei-os da minha imaginação, metaforizando um pouco da realidade mas inventando o restante.
Não estou, neste momento, a escrever em papel mas também este pode ser um "disclosed eden of concealed thoughts". Para revelar aos poucos. Nem que seja só para mim.