sexta-feira, outubro 15, 2004

Voltei!!

Já repararam a quantidade de vezes que falamos dos outros e na realidade estamos a falar de nós.
É dificil falar na primeira pessoa do singular.
Quantas vezes não conversamos sobre a vida, na sua generalidade, a contar episódios alheios, para através dos outros falarmos de nós! Da nossa vida. Da nossa estória.
Dizer, "eu sinto que" ou "eu também me sinto assim", não é fácil. Na maioria dos casos que contamos entre um café e um cigarro, colocamos a nossa afectividade e as nossas projecções nas observações e comentários que fazemos. Falamos de nós quando falamos dos outros.
É uma forma de protegermos a nossa intimidade, de nos guardarmos.
Importante, mesmo importante, é que haja sempre alguém com quem começemos as frases por "Eu", sem ter medo de saber se no final da frase estamos a rir ou a chorar. Alguém que nos dá essa segurança.
Quando temos nas nossas vidas alguém com quem podemos admitir as nossas fraquezas sem medo de ser magoada(o), é sinal que conseguimos muito, quase tudo, que nos permite ser feliz. Conseguimos o refugio, o porto de abrigo, o farol e o horizonte!Conseguimos um amigo!

9 Comments:

Blogger Luar said...

Acreditas se te disser que acabei há duas horas atrás de ter essa conversa com uma amiga muito espacial na minha vida? Disse-lhe precisamente que ela um refugio para mim. Que com ela conseguia dizer tudo sem pensar se me iria criticar. Porque sei que não o faz. Porque sei que é capaz de me dizer que estou errada, assim só por dizer, sem com isso querer mogoar-me ou criticar-me. O teu texto está lindo. Porque é a verdade de todos nós. Só não sei se muitos terão esse amigo e amiga especiais que eu tenho. Que tu tens. Infelizes os que não conseguem falar de si, do seu eu, dos seus sentimentos...

15 de outubro de 2004 às 17:09  
Blogger bombeira said...

Descobri há muito pouco tempo este universo da Blogosfera mas até agora só me tenho surpreendido. Adorei ler o que escreveste e também sinto o mesmo. A maldicência é uma praga da nossa sociedade precisamente porque as pessoas cada vez mais se sentem inseguras. Nadamos num mar de indefinições que transtornam qualquer um. O futuro é cada vez mais uma incógnita e neste cenário só nos resta ver como os nossos pares levam a vida...Claro que nunca fazem as coisas como elas devem ser (pelo menos assim queremos acreditar) e raramente seguimos as suas pisadas. Fugimos tanto do que desejamos!!! Felizmente "quebramos" a nossa mascara com alguem e aliviamos o nosso sufoco contido. Por tudo o que disseste ainda bem que voltaste...

15 de outubro de 2004 às 20:36  
Blogger pedra said...

Já estava a ficar apreensivo com a tua ausência. Porque fazes falta nesta aventura blogosférica e porque gosto muito do que escreves. Este teu post é um primor de interpretação das nossas vidas. Quantas vezes temos de nos projectar nos outros para falarmos do que nos vai na alma. Força. Bjs.

16 de outubro de 2004 às 11:46  
Blogger Sonho Meu said...

Fazes-nos falta. Obrigado pelo regresso. Concordo plenamente com o que escreves-te. É muito dificil encontrar um desses portos de abrigo de que falas, mas quando o encontramos quase de certeza que é para toda a vida.

16 de outubro de 2004 às 19:23  
Blogger Caiadora de Azul said...

Bártolo:Ainda bem que entendes o texto porque tens alguém com quem falar na primeira pessoa do singular!É tão doce esse sentimento, não é?

Bombeira:Bem haja!Que venhas pra ficar!Obrigada!

Pedra:Emocionei-me!Sou simples no escrever porque tenho o coração na ponta dos dedos!Ainda bem que gostou, que aprecia as minhas palavras!As interpretações que faço da vida, são defeito de "profissão", ou melhor, foi por interpretar assim que escolhi o que faço hoje!
Muito Obrigada por o seu comentário!

Sonho Meu: também tu nos fazes falta!Parabéns pela mudança de visual, tá melhor! Tem mais a ver contigo, se me permites!! Sim, quando encontramos um porto de abrigo, é para a vida, senão for, então é porque alguém na relação não foi completamente sincero!!
Mas acho que nós ja encontramos, não achas??

16 de outubro de 2004 às 19:52  
Blogger Eu said...

Já não vinha aqui há algum tempo...
Este post fez-me pensar... acho que nunca senti isso e já tive amigos e amigas bem íntimos. Será de mim ou deles? Serei eu que mantenho as defesas altas ou eles que não mas fazem baixar? Que não me mostram que não me vão criticar? Ou serei simplesmente eu que tenho medo de que, ao ouvir-me, ao deitar cá para fora, seja eu própria a criticar-me? E a magoar-me?
Nunca tinha pensado nisto.
Um beijinho

17 de outubro de 2004 às 00:12  
Blogger Caiadora de Azul said...

Egocêntrica: Que bom ter-te feito pensar! Repara bem, na tua vida e naquilo que consideras "amigos bem intimos"...o porto de abrigo que falo no meu post, não é a pessoa a quem contamos o que de mais intimo a nossa vida tem, mas sim a pessoa com quem partilhamos não só os acontecimentos da nossa vida, mas sobretudo, os sentimentos que estão por detrás deles!
Quando dizes o que sentiste e não o que aconteceu!

17 de outubro de 2004 às 15:13  
Blogger Eu said...

Mas é exactamente isso que é mais difícil! Dizer o que senti!!! Depois de pensar mais ainda, cheguei à conclusão de que o problema é mesmo meu...

17 de outubro de 2004 às 22:43  
Blogger Eu said...

Já agora, e porque há uns tempos me perguntaram de "onde vinha" (e não sei porquê não consigo pôr o meu "profile" a funcionar direito), o meu endereço é
www.novoegopuro.blogspot.com. Não queria que pensassem que era mal educada...

17 de outubro de 2004 às 22:49  

Publicar um comentário

<< Home