A vida, dizem que a de adulto, muitas vezes não se compadece com a nossa necessidade de jogar conversa fora. De termos momentos para nos esquecermos de tudo o que nos rodeia e nos centrarmos nos outros e/ou em nós próprios.
Há sempre algo em agenda ou alguém que nos telefona, qualquer coisa que ainda nos falta fazer ou surge de repente e carece resolução, um compromisso que impede o silêncio de nos bater à porta, para que nos fechemos nos nossos pensamentos, ou, no oposto, que afasta a disponibilidade ou a paciência (ou mesmo o gosto) para rirmos com os outros. Para rirmos do nada. Se é que se pode chamar nada ao arrancar de um sorriso. E, quem diz rir, diz também chorar. Não me atrevo a dizer novamente do nada.
Hoje dediquei esse dia ao que fica sempre para trás. O silêncio preencheu-me durante a manhã e a tarde dediquei-a à conversa jogada fora, ou melhor, à conversa que se joga para fora, para os outros e entre todos, mas que nos entra em todos os poros. Palavras que nos fazem rir e que nos fazem chorar. Nem que seja para dentro.
Como não podia deixar de ser, a noite não foi diferente. Regado a bom vinho (para a próxima a avaria tem de ser maior!!) e condimentado com um jantar a quatro mãos, o serão foi memorável e terminou com o filme "As Horas".
E serviu para relembrar algo muito importante. É que, na verdade, independentemente, das horas que temos ocupadas, com as mais variadas coisas da vida, esta só é vivida se deixarmos espaço para as horas que nem sentimos passar. Para aquelas que, muitas vezes, ficam relegadas para um plano inferior, mas que, afinal, são as mais enriquecedoras.
Nada disto é novidade, mas os "post-it" mentais nunca são demais. E, olhem, que isto não é jogar conversa fora...